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a-tra-vés / through
Status: em andamento – on going
Área/Area: 105,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team:Ana Júlia Filipe, Bárbara Zandavali, Maguelonne Gorioux, Felipe Gomes.

ALEPH ZERO - AIRBNB ROOM from felipe gomes on Vimeo.


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Airbnb room

Status: construído – build
Área/Area: 19,25 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Bárbara Zandavali, Lucas Kodama, Maguelonne Gorioux, Felipe Gomes.
Cliente/Client: Airbnb
Localização/ Location: Curitiba– Brasil



Clínica Odontológica

A ampliação de uma pequena clinica de ortodontia situada em Curitiba ocorre através da adição de um volume poroso de luz. Cravejado de tijolos artesanais de resina com pequenos recortes de cobre, o volume causa uma sensorialidade especifica a quem ali está, como se de alguma maneira fosse possível congelar a constante modificação do material no tempo e deixar esta pausa disposta à contemplação. Assim, pretende-se com este paradoxo temporal, aliado às aberturas para luz natural, causar uma sensação de conforto e calma nos pacientes. Ao anoitecer o efeito se inverte, o volume não mais recebe luz pelos poros, mas sim emana luz para suas proximidades.


Dental Clinic

The extension of a small dental clinic located in Curitiba occurs through the addition of a porous volume of light. Studded with handmade resin bricks containing small cutouts of copper, the volume causes a specific sensoriality to those who are there, as if it were somehow possible to freeze the constant modification of the material in time and leave this pause open to contemplation.
Thus, it is intended with this temporal paradox, combined with openings for external light, to cause a sense of comfort and calmness to patients.
At dusk the effect is reversed, the volume no longer receives light through the pores, but emanates light to its surroundings.


Status: Construído - Built
Área/Area: 82,80 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Pamela Zardo, Lucas Issey Kodama, Felipe Gomes

Localização/ Location: Curitiba – Brasil



Cobertura para o vão central do Mercado Público de Florianópolis
1º Lugar no concurso nacional
1º Place in the national competition

Há, no contexto onde se insere o projeto, uma multiplicidade de tempos concomitantes, pautados nos últimos 160 anos pela afluência de usuários ao Mercado Público de Florianópolis, cuja história inclui demolições, mudanças de local, renovações diversas, e a participação ativa de gerações de consumidores, vendedores e administradores. A nova cobertura para o vão central configura-se, então, como mais um elemento nessa narrativa, e como tal deve respeitar e adicionar ao existente sem tornar-se irrelevante ou caracterizar-se como mero fechamento. Cria-se uma nova escala, protegida dos elementos, com o intuito de suportar adequadamente novas histórias complementares: feiras temporárias, apresentações culturais, festividades, projeções, desfiles, etc.

“É preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma.” VALÉRY,Paul (1930) apud CALVINO, Ítalo (1990) p. 28
Por tratar-se essencialmente de projeto arquitetônico composto por uma superfície que pousa sobre o contexto existente quase sem tocá-lo, a premissa da leveza, entendida como precisão e determinação (CALVINO, I.), é condicionante fundamental. A leveza, assim percebida, não está vinculada meramente à uma ausência de peso do sistema construtivo, mas a uma certa tensão entre a força da gravidade e as peças de aço em forma de “V”, que encontram-se suspensas, à pairar fixamente um pouco acima da cota dos telhados existentes de maneira a criar um vazio por onde o ar circula livremente. Para realizar tal composição, buscou-se um sistema que permitisse a execução de grandes vãos com um mínimo de componentes e cujo arranjo é resultado de um pensamento simples: a localização dos dois pontos de apoio distantes 36m entre si deveria dar-se ao longo do eixo central alinhado aos pilares existentes, de modo a se manter a configuração do espaço existente, e se evitar que as novas fundações gerem interferências perigosas ao embasamento do edifício histórico. Sobre os mencionados pilares apoia-se, então, uma viga principal em perfil retangular onde conectam-se vigas intermediárias, inclinadas em direção à calha central e distanciadas umas das outras em vãos de 12m.
A última camada da cobertura consiste em uma membrana leve e de grande resistência fabricada em composto de ETFE impresso com padrão de micro círculos prateados para sombreamento parcial (variável de 10% a 50%) do espaço abaixo. Prevê-se, ainda, que essa membrana possa ser retraída através de um sistema automatizado no qual vigas deslizam por trilhos conforme a tração de correntes de transmissão acionadas por motores, envolvendo o tecido no cilindro de apoio posicionado nas extremidades. Tal sistema permite o recolhimento completo da camada de proteção superior possibilitando a visualização desobstruída do céu e do edifício existente.
Conforma-se, assim uma proposta que busca lidar de maneira respeitosa com a multiplicidade da história do Mercado Público de Florianópolis, atentando, porém, para que tal intervenção feita de maneira precisa, possa potencializar o espaço como lugar democrático de encontro e convivência.

VALÉRY,Paul. Choses tues. Cahier d'impressions et d'idées. Paris, Éditions Lapina, 1930 Apud CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo, Companhia das Letras, 1990)


Central Roof – Public Market of Florianópolis

There is, in the context where the project operates, a multiplicity of concurrent times, conducted in the last 160 years by the influx of users to Florianopolis Public Market, whose history includes demolitions, changes of location, several renovations, and the active participation of generations of consumers, sales people and different administrations. The new roof for the central span, then, appears as another element in this narrative, and as such should respect and add to the existing, without becoming irrelevant or being characterized as mere closure. A new scale is created, protected from the elements, in order to adequately support new additional stories: temporary exhibitions, cultural performances, festivals, screenings, parades, etc.
“It is necessary to be as light as the bird not as the plume” VALÉRY,Paul (1930) apud CALVINO, Ítalo (1990) p. 28
Bearing in mind, that the architectural design consists essentially of a surface that rests above the existing context almost without touching it, the premise of lightness understood as precision and determination (CALVINO, I.), is critical. Lightness, thus perceived, is not linked merely to an absence of weight of the constructive system, but rather to a certain tension between the force of gravity and the suspended “V” shaped steel parts that hover steadily, slightly above the level of the existing roofs in order to create a void through where the air can freely circulate. To perform this composition, a system was sought that allows for the implementation of large spans with a minimum of components and whose arrangement is the result of a simple thought: the location of the two support points, 36 meters distant from each other, should take place over the central axis aligned with the existing pillars, so as to maintain the configuration of the previous space, and to prevent the new foundations from generating harmful interference to the basement of the historic building. Over the aforementioned pillars lays a main beam in rectangular profile to which intermediate “ribs” are connected, distanced from each other in spans of 12m and sloping towards the central gutter.
The uppermost layer consists of a lightweight and high strength membrane made of ETFE compound, with micro-printed pattern of silver circles to promote partial shading (variable from 10% to 50%) to the space below. It is envisaged, also, that this membrane could be retracted through an automated system in which beams slide within rails through the traction of motorized chains, which cause the fabric to roll wrapping over the roller positioned at the extremities. Such system should allow for the full retraction of the upper protective layer providing an unobstructed view of the sky and the existing building.
Thus, a proposal is conformed in a way that seeks to deal respectfully with the multiplicity of the history of Florianopolis Public Market, remarking, that such action carried through accurately, can enhance the space as a democratic place for meeting and public coexistence.

VALÉRY,Paul. Choses tues. Cahier d'impressions et d'idées. Paris, Éditions Lapina, 1930 Apud CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo, Companhia das Letras, 1990)

Concurso/Competition: 1º lugar/ 1st prize
Status: em desenvolvimento – under development
Área/Area: 1.020,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Bárbara Zandavali, Ana Julia Filipe, Maguelonne Gorioux, Felipe Gomes, Agatha Linck
Colaboradores/Collaborators: Eng. Sandro Norio Oyama

Localização/ Location: Florianópolis – Brasil



Palco da Pedreira Paulo Leminski

A topografia, a pedra e a vegetação são as conformadoras do sítio especifico do Parque das Pedreiras. Uma antiga pedreira mantida como local preservado a poucos minutos do centro da cidade hoje passa por adequações para manter sua operação como espaço para shows e manifestações culturais. A nova cobertura proposta é composta por uma bandeja reticular conformada para aguentar grandes cargas decorrentes de sua função e repousa sobre apoios que se mesclam com a paisagem e funcionam como espera para os aparatos técnicos.

Stage for Paulo Leminski Quarry

Topography, stone and vegetation are the conformers for the specific site of the Quarry Park (Parque das Pedreiras). The former quarry, maintained as a preserved place only a few minutes from the city center, today goes through adjustments to maintain its operation as a space for concerts and cultural events. The new Roof proposal for the stage consists of a reticular tray conformed to endure heavy loads due to the equipment it shall hold and rests on supports that blend with the landscape and function as support for technical devices.

Status: em construção – under construction
Área/Area: 1.186,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Lucas Issey Kodama, Felipe Gomes,
Colaboradores/Collaborators: Bernardo Bento, eng. Ricardo Henrique
Dias

Localização/ Location: Curitiba – Brasil



Exposição Prêmio Idea 2013

O projeto expositivo idealizado para o prêmio Idea 2013 desenrola-se a partir das premissas: Como expor os trabalhos dos premiados de maneira a manter e potencializar suas características, assim como fomentar a discussão sobre a produção do design brasileiro atual.
A exposição se organiza através de faixas perpendiculares ao fluxo museológico, delimita espaços e modifica o percurso, conforma sempre elementos de fundo para a contemplação dos objetos assim como possibilita o vislumbrar total da exposição, propicia dessa maneira dois momentos distintos: o do objeto único e suas associações como panorama.
As cores são decorrência da necessidade de um fundo expositivo escuro desmontado por pontos amarelos, cor do prêmio em 2013.

Idea 2013 award exhibition

The exhibition project conceived for the 2013 Idea award unfolds from the following premises:
How to exhibit the winning works so as to maintain and enhance its features, as well as foster discussion about the current Brazilian design production.
The exhibition is organized by strips perpendicular to the main flow, it marks spaces and modifies the route, it conforms background elements to the contemplation of the objects at the same time as it make it possible to glimpse the total exhibition, thus two different times are outlined: the single object and its associations as a panorama.
The color choice is due to the need for a dark expository background that is then dissolved by yellow dots - the color of the award in 2013- when it touches the ground.




Status: concluído – completed
Área/Area: 660,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Lucas Issey Kodama, Bárbara Zandavali, Felipe Gomes,

Localização/ Location: Curitiba – Brasil
Ano/Year: 2013



Casa Barigui

Do topo se contempla a vista, o parque, o vai e vem, as estações do ano e a natureza. Com o objetivo de ampliar as relações sensoriais com o exterior a casa define-se através de elementos verticais que por sua vez alinham as visuais e proporcionam não somente a vista mas como a exequibilidade da casa. Programaticamente divide-se em quatro pavimentos, no subsolo a garagem e áreas técnicas, no térreo a parte privativa, e nos dois pavimentos superiores a área social. A inversão do programa tido como corriqueiro (térreo = social) para térreo = privativo advém da tentativa de desfrutar socialmente das vistas do parque Barigui, um voyeur do principal parque curitibano.

Barigui House

From the top one contemplates the view, the park, the come and go, the seasons, and nature. With the objective of expanding the sensory relations with the outside, the house is defined by vertical elements that in turn align the visuals and provide not only a park’s perspective but also the house’s own feasibility. Programmatically it is divided into four floors: on the underground the garage and technical areas; on ground floor the private area; and on the two upper floors the social area. The inversion of the common program (ground floor = social) to ground floor = social stems from an attempt to socially enjoy Barigui park’s views, a voyeur of Curitiba’s main park.

Status: em desenvolvimento / under development
Área/Area: 460,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Co-autor/Co-author: Lucas Issey Kodama
Equipe/ Project Team: Bárbara Zandavali, Felipe Gomes, Maguelonne Gorioux
Colaboradores/Collaborators: Eng. Ricardo Henrique Dias

Localização/ Location: Curitiba – Brasil



Showroom Flexiv - reforma

1. Exterior:
Em primeira análise do problema proposto concluiu-se que havia uma quantidade excessiva de elementos e volumes na fachada existente os quais deveriam ser de alguma maneira reorganizados. A solução constituiu-se à partir de um envelope que proporcionaria unidade visual e destaque ao principal ponto de interesse: a esquina do lote. Concomitantemente, essa camada de proteção deveria se dobrar para deslocar o olhar até o segundo ponto com maior necessidade de legibilidade: o acesso.
Definiu-se o método construtivo da fachada à priori, e o mesmo processo da fabricação de peças de mobiliário deveria ser utilizado: chapas finas, perfuradas na puncionadeira comporiam a nova camada entre exterior e interior. Tal solução de fechamento possibilitaria, ainda, uma melhora em aspectos de conforto, uma vez que sombreia os planos de vidro, diminuindo a incidência de radiação solar no interior, e consequentemente a carga de ar-condicionado. Restava desenvolver o padrão de perfuração de maneira coerente à forma e ao processo de produção. Para tanto, optou-se por utilizar somente as ferramentas padrão da máquina - círculo, quadrado e retângulo – sobre um grid regular de 5x5 cm, no qual o tamanho dos recortes varia para criar maiores ou menores densidades.
Após inúmeras tentativas frustradas de compor manualmente um desenho que desmaterializasse a forma do edifício, voltamo-nos ao próprio material em busca de possíveis soluções. O processo de oxidação do aço gerava uma textura extremamente interessante que poderia ser direcionado para o formato necessário através da aplicação de ácido em diferentes momentos. O padrão de ferrugem ideal foi então parametrizado com as formas de punção selecionadas e traduzido ao sistema da puncionadeira para subsequente produção das chapas perfuradas.

2. Interior:
A intervenção interna consistiu na completa reestruturação dos fluxos de circulação ocasionada pela simples mudança de posição da passagem entre as duas tipologias construtivas existentes (barracão e residência). A conexão através do eixo central foi substituída por duas aberturas que permitiram um percurso circular com início e fim na área reservada aos vendedores. À partir desse caminho principal surgem os espaços expositivos, separados por divisórias semitransparentes, bem como as áreas de reunião, apresentação e de apoio. Buscou-se, ainda, uma clareza espacial advinda de uma palheta de cores neutras para destaque do mobiliário exposto, e a hierarquização dos pés-direitos, os quais atuam para salientar transições funcionais.

Showroom Flexiv - renovation

1. Exterior:
In the first analysis of the proposed problem it was concluded that there was an excessive amount of components and volumes in the existing facade that should be rearranged in some way. The solution consisted of an envelope that would provide visual unity and emphasize the main point of interest: the corner of the lot. Concomitantly, this layer of protection then folds itself to shift gaze to the second point with the greatest need for legibility: the access.

The constructive method of the façade was defined a priori, and the same process of manufacturing furniture pieces should be used: thin sheets, perforated by a specific machine would compose the new layer between the exterior and interior. This enclosing solution further enables an improvement in aspects of comfort, since it shades the flat glass, reducing the incidence of solar radiation on the inside, and thus the air conditioning load. Still, the perforation pattern remained to be solved in a consistent manner to form and production process. To this end, we chose to use only the standard tools of the machine - circle, square and rectangle - on a regular grid of 5x5 cm, in which the size of the cutouts varies to create higher or lower perforation densities.
After numerous failed attempts to manually compose a drawing that dematerialize the shape of the building, we turned to the material itself for possible solutions. The process of steel oxidation produced extremely interesting textures that could be directed into the desired format through the application of acid at different times. The ideal pattern of rust was then parameterized with the selected puncture shapes and translated to the punching machine for subsequent production of the perforated steel plates.

2. Interior:
The internal intervention consisted of the complete restructuring of circulation flows caused by the simple change in position of the connection between the two existent building typologies (shed and house). The connection through the central axis was replaced by two openings that allowed for a circular route starting and ending in the area reserved for vendors. From this main path arise the exhibition spaces, separated by semi-transparent walls, as well as areas for meeting, presentation and support. Furthermore, we sought spatial clarity derived from a palette of neutral colors in order to highlight the furniture displayed, and the hierarchy of ceiling heights, which act to highlight functional transitions.

Status: Interior: completo/completed; exterior: em desenvolvimento/ under development
Área/Area: 660,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team: Lucas Issey Kodama, Felipe Gomes,
Cliente/ Client: Flexiv - www.flexiv.com.br

Localização/ Location: Curitiba – Brasil
Ano/ Year: 2013-



TEDx UFPR

“Beyond what you see. A percepção humana não é uma consequência direta da realidade, e sim um ato imaginativo. No meio da enxurrada de informações diárias, a impressão é que a visão e audição provem tudo que se precisa saber. Mas há muito mais. A maioria das pessoas considera que a maior prova que podemos ter de um acontecimento é vê-lo com os próprios olhos. Movemos constantemente os olhos para fazer com que a região mais nítida recaia sobre diferentes pontos da cena que desejamos observar. Felizmente, o cérebro processa os dados, combinando as informações trazidas pelos dois olhos e preenchendo as lacunas, com o pressuposto de que as propriedades visuais de localidades vizinhas são semelhantes e sobrepostas. O resultado é um alegre ser humano sujeito à convincente ilusão de que sua visão é nítida e clara.
Usamos a imaginação para pegar atalhos assim como com as informações visuais, chegamos a conclusões e fazemos julgamentos com base em informações incompletas, e concluímos, ao terminarmos de analisar os padrões, que a “imagem” a que chegamos é clara e precisa. Mas se pararmos para pensar, será que é mesmo? O que há além do que é apenas percebido? Além das opiniões distorcidas e de nossos julgamentos viciados? O que há por trás daquela porta? Entre aqueles becos? Além dos sorrisos? E das lágrimas? Por trás dos gestos, da mudança e das histórias?
Vamos nos permitir ver além. TEDxUFPR. Além Do Que Se Vê.” – Texto de divulgação TEDx UFPR

TEDx UFPR

"Beyond what you see . Human perception is not a direct consequence of reality, but an act of imagination. Amid the flurry of daily information, the impression is that the vision and hearing provide everything you need to know. But there is more. Most people think that the best proof that we can have of an event is to see it with our own eyes. We constantly move the eyes to make the sharpest region of vision fall on different parts of the scene we want to watch. Fortunately, the brain processes the data by combining the information brought by two eyes and filling in the gaps, with the assumption that the visual properties of neighboring locations are similar and overlapping. The result is a cheerful human being subject to the convincing illusion that your vision is sharp and clear.
We use imagination to take shortcuts as well as visual information, we reach conclusions and make judgments based on incomplete information, and conclude, as we finish analyzing the patterns, that the "image" we have reached is clear and precise. But if you think about it, is it really? What's beyond what is merely perceived? Apart from the distorted opinions and rigged judgments? What's behind that door? Among those alleys? Beyond the smiles? And the tears? Behind the gestures, change and stories?
We will allow ourselves to see beyond. TEDxUFPR. Beyond what you see." - Disclosure text TEDx UFPR



Talks
Bel Pesce
Tiago Iorc
Fernando Gois
Fernanda Cabral
Gustavo Utrabo & Pedro Duschenes
Hand Talk
Tiago Dalvi
Pedro Pimenta
MSc. Paulo Vodianitskaia
Rafael Giuliano




Casas Cubo

Em Construção - Under Construction

Autores: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes,Juliano Monteiro.

Colaboradores: Lucas Issey Kodama, Arq. Ernesto Bueno, Mariana Bittencourt

Cliente: CasaLinea - www.casalinea.com.br
Local: Curitiba

[Des]Dobrar from Rodrigo de Sá Jorge on Vimeo.





[DES]dobrar

A reflexão é uma repetição pervertida. Distorce, inverte e multiplica o espaço circundante embaraçando referenciais de localização. Um espaço composto por elementos refletivos é, portanto, um espaço de limites nublados: dentro, fora, longe, perto, frente, costas, único, múltiplo, real, reflexo. No campus universitário, cuja configuração busca a otimização e legibilidade a partir da repetição de respostas e signos pré-estabelecidos, surge a possibilidade de um espaço singular onde esta mesma repetição multiplica-se exponencialmente de maneira a materializar-se como objeto que ao mesmo tempo influencia e é influenciado por um local específico. Há, no entanto um elemento ainda mais importante a se considerar, aquele que ativa e dá significado aos objetos: o usuário/observador. Ao contrário de um mero espectador passivo, é o observador quem compõe a obra, através de seu posicionamento e de seu movimento no espaço. Tal movimento é, ainda, ‘refletido’ por objetos que “dançam” conforme a passagem dos transeuntes e os acusa de serem eles, também, atores em uma realidade múltipla, dinâmica e interconectada.

Reflection is a perverted repetition. It twists, inverts and multiplies the surrounding space distorting references of location. A space composed by reflective elements is therefore a space of blurred boundaries: in, out, far, near, front, back, unique, multiple, real, reflected. At the university campus, whose configuration searches optimization and readability by means of repeated answers and pre-established signs, arose the possibility for a singular place where this same repetition could be multiplied exponentially so as to materialize itself in a object that at the same time influences and is influenced by this specific location. There is, however, an element even more important to consider, one that activates and gives meaning to the objects: the user / observer. Unlike a mere passive spectator, it is the observer who composes the work through his/her position and motion in space. Such movement is then 'reflected' by objects that "dance" with the movement of passers and accuses them of being themselves also actors in a multiple reality, dynamic and interconnected.

The tectonics of the built elements should be very simple, for the execution was to be held by a two-person local welding company. In this sense the parametrized and carefully calculated project had to be translated to a low tech reality through the use of 1:1 print outs on sheets of paper, and a very close monitoring of the fabrication and building process. Constructively, the installation is composed of approximately 90 frames made of 3 cm square section profiles welded to a laser cut metal base. These frames are then enclosed with very thin reflective stainless steel plates. In the section where the parts leave the contact with the ground, a tridimensional curved truss structure was designed as an “arch” built with mechanically bent tubes and welded profiles, counterweighted by concrete blocks on its two support points. Near the center of the installation there are 10 “technologically filled” frames. With the use of windshield motors, belts, electric plates and proximity sensors it is possible to automatically rotate these metal prisms accompanying the passage of nearby observers through the space.



Técnica: aço, aço inox, elementos para automação
Local: Universidade Positivo ( R. Prof. Viriato Parigot de Souza, 5300 – Cidade Industrial – Curitiba – PR )
Ano: 2012
Área aproximada: 100m2

Concepção: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro, Ernesto Bueno, Lucas Issey, Hugo Loss, Mathilde Poupart, Lucille Daunay, Sabine Meister)

Projeto estrutural: Ricardo Dias
Projeto de automação: Fernando Marins
Produção cultural: Wellington Guitti
Execução da estrutura metálica: Bronx
Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade positivo
Colaboradores: Profa. Gisele Pinna, Prof. Adriano Dorigo, Prof. Alexandre Ruiz e Prof. Haraldo Freudenberg
Alunos: Bruna Fabre, Eduardo Witt, Gabriela Casagrande, Marcelo Loro e Marcela Furtado

Pictures: Rodrigo Jorge, Juliano Monteiro



TOQ

* Winner Worlddidac Award 2012 Category Innovation

A mesa educacional TOQ desenvolvida para a Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática permite que os alunos manipulem conteúdos educacionais digitais por meio de uma tela horizontal sensível ao toque. Ao reunir tecnologia com conteúdos interativos e contextualizados a TOQ busca tornar o processo de aprendizagem mais divertido e intuitivo. Devido as suas dimensões ela possibilita não somente relações com o meio digital mas também relações sociais imediatas entre os usuários.

The educational board TOQ developed for the Educational Technology Division of Positivo Informatics allows students to manipulate digital content through a horizontal touch screen. By bringing together technology with interactive and contextualized content, TOQ searches to make the learning process more intuitive and fun. Its size enables not only relations with the digital medium but also immediate social relationships among users.

status: concluído
equipe: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Dari Beck e Ronaldo Duschenes, Juliano Monteiro

cliente: Positivo Informática
fabricante: Flexiv
ano do projeto: 2012
ano de conclusão: 2012



Edifício Irati

status: em desenvolvimento
Autores: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes,Juliano Monteiro

Colaboradores: Lucas Issey Kodama, Arq. Ernesto Bueno, Mathilde Poupart, Lucille Daunay

Localização: Curitiba – Brasil



E3


Autores: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Lucas Issey Kodama

Tamanho: Variável

Helix Code

#x(t) = R*cos(k*t)
#y(t) = R*sin(k*t)
#z(t) = t

nPts = 2400
print “Creating %s points”%nPts
for i in range(nPts):
x = random.random()
y = random.random()
z = random.random()
v = geompy.MakeVertex(x, y, z)
geompy.addToStudy(v, “Vertex_%d”%(i+1) )
print “Done”

print “Creating a spiral”
nbPeriods=2
period=1e-2
t=0
step=period/50
ptList = []
while (t<=2*math.pi*period):
x=math.cos(2*math.pi*t/period)
y=math.sin(2*math.pi*t/period)
z=t*50
t += step
v = geompy.MakeVertex(x, y, z)
geompy.addToStudy(v, “Helix_%f”%t )
ptList.append(v)
polyline = geompy.MakePolyline(ptList)
interpol = geompy.MakeInterpol(ptList)
geompy.addToStudy(polyline, “polyline” )
geompy.addToStudy(interpol, “interpol” )
print “Enjoy”




Entre Escalas

A instalação é o produto final do workshop “Entre Escalas” o qual abordou temas como fabricação digital, design paramétrico e relações de escala na criação de um mobiliário urbano a ser implantado na Praça Espanha em Curitiba. O nome Entre Escalas foi sugestivo, uma vez que o mobiliário deveria servir como playground para as crianças e apoio/arquibancada para shows de jazz que acontecem na praça.

Buscou-se propiciar aos alunos a experiência de passar pela elaboração de conceitos até fabricação e montagem final em um período extremamente curto, com o uso ferramentas paramétricas de projeto, relacionado todo o processo com necessidades arquitetônicas específicas. Houve uma série de palestras sobre o assunto e tutoriais de programas paramétricos, seguidos por uma intensa charrete (concurso de curta duração). Estiveram presentes os arquitetos e tutores Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes, Ernesto Bueno, Lucas Issey, Thiago Mundim e o engenheiro Ricardo Dias.

Após a realização do workshop, os participantes foram convidados para desenvolver uma síntese dos projetos propostos. Em seguida, foram trabalhados problemas de estrutura, materiais, lógica de montagem e segurança.

A solução final deriva de uma espécie de labirinto que desperta na criança o estranhamento e a curiosidade de saber o que está por vir. Externamente a forma hexaédrica de 4m x 4m x 1,5m de altura, fabricada com madeirite, contrasta com a fluidez dos caminhos internos. A geometria radial interna gera um grau de transparência visual que permite aos pais acompanhar seus filhos durante o trajeto através de túneis convergentes até o espaço central em forma esférica. Também possibilita uma visão única do mundo exterior filtrada pela estrutura proposta.

Em agosto de 2011 a instalação esteve disponível na Praça da Espanha, em Curitiba, para que todos pudessem observar a reação, tanto de crianças quanto adultos, ao ver algo inusitado em um lugar comum de convívio. As crianças, sob olhar atento dos pais, puderam explorar uma nova experiência espacial e também estabelecer uma forma de brincar particular, relacionada a atividades habituais como escalar, engatinhar e se esconder, a partir do contato com o “brinquedo paramétrico”.

“Entre Escalas” foi uma parceria entre, Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro, Ernesto Bueno, Lucas Issey Thiago Mundim e Centro Estudantil Geral de Arquitetura e Urbanismo (CenEGAU) com apoio do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e organização de João Victor Monteiro.

Agradecimentos especiais para:

Bruna Hobi, Maria Eduarda Camilotti, Mariana Bittencourt, Renate Louise Pierotto e João Victor Monteiro

E todos os alunos que participaram do Workshop “Entre Escalas”

The Installation is the final product of “Entre Escalas” Workshop, which engaged subjects of parametric design, digital fabrication and the issue of scale on the creation of urban furniture to be implemented at the Spanish Square (Praça da Espanha) in the neighborhood of Batel, in Curitiba – Brazil. The name “Entre Escalas (In Between Scales)” was suggestive as the furniture had to serve the children as a playground, at the same time as bleachers for jazz shows happening in the square.

To get from concept to fabrication and assembly in a very short span of time using parametric tools and relating that to specific architectonic needs were the themes intended to be grasped by the students . There were series of lectures related to the subject, as well as specialized computational classes, followed by an intense design competition. The architects and tutors present were Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes, Ernesto Bueno, Lucas Issey, Thiago Mundim and the structural engineer Ricardo Dias.

After the workshop, the students develop a synthesis of the previously proposed designs inside the office. In this phase problems of structure, materials ,fabrication, assembly logic and health and safety were addressed.

The final design derives from a labyrinth, and aims to awake in the children feelings of estrangement and the curiosity of not knowing what comes next. Externally, the 4m x 4m x 1.5m box form, made with the cheapest construction plywood available, contrasts with the fluid internal paths. The inner radial geometry generates a degree of visual transparency that allows the parents to follow their children through the tunnels that lead to the sphere shaped central space. It also enables fascinating multi-framed views to the surrounding environment.

In August 2011 the installation was exposed at the Spanish Square (Praça da Espanha), so that all could observe the reaction, from both adults and children faced with something unusual built in a common public place. The children, under close supervision from their parents, could explore a new spatial experience, as well as establish a singular form of playing, yet related to regular activities such as climbing, crawling and hiding, through the contact with the “parametric playground”.

“Entre Escalas” Workshop was a partnership between Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro, Ernesto Bueno, Lucas Issey , Thiago Mundim (www.thiagomundim.net) and CenEGAU with support from the Architecture and Urbanism Course at the Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) and coordination by João Victor Monteiro.

Special Thanks to:

Bruna Hobi, Maria Eduarda Camilotti, Mariana Bittencourt,Renate Louise Pierotto, João Victor Monteiro.

And all the students that participated in the Workshop “Entre Escalas”



Worshop UEM

15 horas de trabalho - Da teoria a prática . 15 hours of work from teory to practice.

GROUP 1:
Isabela Elicker Zampronio
Miriam Carla Cunha Pacheco e Silva Tavares
Aryadne de Albuquerque
Dirceu Almeida Gazola Junior
Isabela Trevizan Lopes
Silvia Catherine Andrian
Gabriela Palonbino

GROUP 2:
Claudia Araujo Guzzo
Vanessa Calazans da Rosa
Bruno Veiga
Luisa Marchiori
Daniela Braz Pimentel
Lucas Betinardi Silva
Vinícius Alves de Araujo

GROUP 3:
Pollyana Machiavelli
Karen Miyuki Tamura
Gabriela de Oliveira Bragança
Mariana Amabile Bofete Santana
Daniela Tiemi Asanome
Leandro Hernandes Leme
Rafaella Aparecida Falkenback
Leonardo Costa Pereira
Isabella Caroline Januário

GROUP 4:
Maria Alice da Silva Caparroz
Maria Claudia Carnielli Mukai
Patrícia Pereira Troli
Alexcia dos Santos Gesualdo
Daniel Maioli
Luisa Spagnollo Manoera
Juliana Soares de Biagio
Vinícius Balbino Pereira

GROUP 1: Rede e bancos entre palmeiras (Hammock and benches between palm trees)
GROUP 2: "Túnel" e espaço para sentar ("tunnel"/ seating space)
GROUP 3: balanço e cobertura (swing and covering)
GROUP 4: banco contínuo em frente à quadra de esportes (continous bench in front of sports court)



Conext
*Premiado no Salão Design Casa Brasil – categoria mobiliário corporativo

equipe: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes e Studio Flexiv de Design - Ronaldo Duschenes, Guilherme Duschenes e Dari Beck.

localização: Curitiba PR, Brasil
cliente: Flexiv - www.flexiv.com.br
fabricante: Flexiv.
ano do projeto: 2012



Approach

Acima de tudo, os autores falam da necessidade para procurar alternativas em lugar de soluções. Isto os conduz à conclusão adicional de que “há um mesmo valor de verdade entre argumentativas díspares.” Por isto, “o diverso [se torna] um duto por onde podem afluir novas concepções.” Graham Harman


Above all, the authors speak of the need to look for alternatives rather than solutions. This leads them to the further conclusion that “there is an equal value of truth between distinct argumentative propositions.” For this reason, “the diverse... [becomes] a duct through which new concepts flow.” Graham Harman

Preface
Graham Harman
Ligatio
Hugo Loss . Gustavo Utrabo . Juliano Monteiro . Pedro Duschenes
Farming in the Anthropocene
Nannette Jackowski . Ricardo de Ostos
Impetus
Léopold Lambert
Mappings
Bernardo Bento

Would you like one? Send us an e-mail. mail@alephzero-arq.br

Non-Relationality for Philosophers and Architects
‘Não Relacionalidade’ para Filósofos e Arquitetos

por Graham Harman
Professor de Filosofia e Reitor Adjunto de Administração de Pesquisa na Universidade Americana no Cairo, Egito. Graduado pela faculdade de St. John, Maryland, tem seu doutorado pela DePaul University em Chicago. É autor de dez livros, incluindo Tool-Being(2002), Prince of Networks (2009) e The Quadruple Object(2011).
Filosofia Orientada ao Objeto: http://doctorzamalek2.wordpress.com/

Tradução: Hugo Loss


Jacques Derrida ficou aturdido com o interesse de arquitetos em sua obra filosófica. No início dos anos 1990, ele declarou em uma entrevista o seguinte:

caso alguém tivesse me perguntado há vinte anos se eu achava que a desconstrução deveria interessar as pessoas em domínios que eram estranhos para mim, como a arquitetura e o direito, por uma questão de princípio a minha resposta seria sim, é absolutamente indispensável, mas ao mesmo tempo eu nunca teria acreditado que isso poderia acontecer. Assim, quando confrontado com este fato eu experimentei um misto de espanto e de não espanto. Obviamente, eu sou obrigado, até certo ponto, não a transformar, mas sim a adaptar ou a deformar o meu discurso, em qualquer caso para responder, para compreender o que está acontecendo 1.

Estas palavras soam verdadeiras devido a certas experiências recentes. Embora de maneira nenhuma na escala de influência da ‘desconstrução’, tem havido muito interesse recente em minha filosofia orientada aos objetos (N.T. object-oriented philosophy), entre artistas, arquitetos e designers. Como o próprio Derrida, estou simultaneamente surpreso e não surpreso com este desenvolvimento. Em certo sentido, eu não tenho nenhuma formação oficial em qualquer destes campos, e certamente não estou em posição de dar conselhos. Muito pelo contrário, eu espero inspiração retroativa para a minha própria escrita ao ver como os outros a colocam em prática.

Mas por outro lado, não estou surpreso por este interesse crescente. O que poderia ser de maior interesse para todos os campos da investigação humana do que os objetos, uma vez que existem objetos em todos os campos - tanto humanístico quanto científico, ficcional e não ficcional, matemático e erótico, sério e frívolo. Recentemente eu até mesmo adverti que o cientificismo de Ray Brassier e o matematismo de Quentin Meillassoux seriam mais difíceis de serem exportadas para campos fora da filosofia do que a minha própria posição orientada ao objeto. Além da lógica inerentemente filosófica que me empurrou nesta direção durante a década de 1990, houve também o vago desejo de criar um kit de ferramentas intelectual geral que pudesse ser útil a qualquer um, não importando seu campo intelectual. Isso não pode ser feito se a filosofia for dolorosamente subordinada ao trabalho dos melhores neurologistas de 2012 (como Brassier recomenda) ou se os seres humanos permanecerem no centro da ontologia baseados em medos infundados de panpsiquismos (como é infelizmente o caso da posição heroica de Meillassoux).

Existe a consideração, ainda, que a filosofia orientada aos objetos promova cortes contra as fibras exatamente no momento certo, como é muitas vezes verdade com teorias que se revelam úteis. Desde a década de 1960, a vida da vanguarda intelectual em geral favoreceu o evento em detrimento da substância, o fluxo dinâmico em detrimento da estase, o contexto ao invés da autonomia, a relação ao invés da não-relação, o construído em detrimento do independente, o que uma coisa pode fazer ao invés do que uma coisa é, e assim por diante. O que é paradoxal sobre o pensamento orientado ao objeto é que ele inverte cada aspecto destas típicas posições de vanguarda. Se forçado a escolher, então cem vezes em cem eu escolheria a substância em detrimento do evento, a estase ao invés do fluxo, autonomia no lugar do contexto, a não-relação em detrimento da relação, o independente em detrimento do construído, e o que algo é em detrimento do que algo pode fazer. Isto não é por uma causa perversa, e também não por algum desejo desviante de apagar meio século de progresso intelectual. Em vez disso, a experiência me levou a acreditar que pelo menos na filosofia categorias como evento, dinamismo, contexto, relação, construção e capacidade são ideias que foram, mas não permanecem libertadoras. Gostaria de centrar as minhas observações de hoje sobre o conceito de ‘relacionalidade’ (N.T. relationality). Na maior parte dos campos humanísticos e artísticos, há ainda uma sensação de que o contexto e a relacionalidade estão na ponta, enquanto as forças de não-relacionalidade são aquelas de cansadas reações conservadoras. Vou dar razões pelas quais eu acho que esse não é o caso na filosofia, e sugerir que pode não ser o caso em alguns outros campos também.


1. Como alguns arquitetos veem a Filosofia Orientada aos Objetos

Ao invés de dar um salto de cabeça na filosofia, talvez possamos situar a filosofia orientada aos objetos em termos do que os arquitetos e os teóricos da arquitetura dizem sobre isso. Em outubro passado, fui convidado pelo arquiteto/designer David Ruy para contribuir com um artigo para o ‘tarp Architecture Manual’ da primavera de 2012, publicado pelo Pratt Art Institute, em Nova York. O convite passava uma sensação um tanto casual, e eu acreditei que a minha convivência longa com Ruy fora a principal razão para o pedido. Por isso fiquei surpreso ao encontrar a edição inteira do ‘tarp Architecture Manual’ salpicado com referências sobre a importância da abordagem orientada ao objeto para a arquitetura e para o design. Podemos começar com o primeiro parágrafo do número da revista, onde Erik Ghenoiu escreve o seguinte:

Jovens estudiosos e profissionais estão levantando suas vozes contra o paradigma que agora completa 20 anos de idade de uma arquitetura baseada na gestão das relações de significado, no programa, no uso, e no fluxo... a atenção generalizada voltou a ser o inesgotável significado de objetos arquitetônicos, que sempre excedem as intenções, as técnicas e até mesmo a estética que os geraram. Esta mudança por sua vez está encontrando um terreno comum na ontologia orientada aos objetos... emergente na filosofia continental e liderada por escritores incluindo Graham Harman e Timothy Morton 2.

Isso era novidade para mim, mas vamos seguir Ghenoiu em mais detalhes e ver onde ele nos leva. Mas, primeiramente, deixe-me adicionar primeiro que eu não posso aceitar o crédito em sua afirmação de que a filosofia orientada ao objeto contestou a ideia de natureza que está por trás da sustentabilidade. Bruno Latour fizera isso em 1991 em Jamais Fomos Modernos e novamente em 1999 em The Politics of Nature, e eu (embora o caso de Morton seja diferente), não posso dizer que tenha adicionado nada de novo à crítica de Latour ao conceito moderno de natureza, em particular. Ghenoiu faz uma ligação mais plausível entre o pensamento orientado ao objeto e a prática contemporânea, quando afirma o seguinte:

A manipulação das relações tem favorecido a técnica de distração de fazer o lugar construído parecer ser o resultado de forças e considerações sobre o qual o designer não tinha controle... O objeto deixa ambíguas e por vezes contraditórias as forças no campo de percepção das relações, mas atinge uma espécie de autenticidade naturalizada do objeto através da presença de um excesso de detalhes tecnicamente complexos. Neste modo, um projeto que é ideologicamente e formalmente bizarro pode parecer como quase banal, devido à sua concorrente e altamente orquestrada pretensão de normalidade (visual) 3 .

Este é o ponto onde Ghenoiu faz um link com a minha filosofia:

Em todas essas tendências, a arquitetura não apenas cria objetos no sentido de [uma ontologia direcionada ao objeto], ela também os encena. Harman, Morton e seus aliados colocaram um tipo de objeto hermético: hermético não na medida em que ele é selado para fora de nossa compreensão, mas de forma que ele não pode ser inteiramente compreendido, que algum aspecto (e talvez a maioria deles) encontra-se fora da parte suscetível à compreensão em geral, e muito mais para um entendimento específico qualquer 4.

Isto pode soar como uma aliança não problemática entre mim, Morton, e um movimento de jovens arquitetos. Mas Ghenoiu mostra inteligência através da identificação de um ponto de atrito entre as duas tendências:

... quase toda a arquitetura que se volta para o objeto depende de um espectador privilegiado, se não simplesmente por seu próprio caráter formal, pelo menos para o julgamento que pode reconhecer o seu procedimento formal como distinto, fascinante, original, ou como uma arquitetura bem sucedida... Este restabelecimento da relação sujeito-objeto e a constituição do sujeito através do mundo do objeto faz do direcionamento ao objeto uma espécie de recusa às ideias de Morton e Harman ou, pelo menos, cria um limite difícil para sua apropriação, mas seguro para as mais velhas proposições arquitetônicas do pós-humanismo 5

A visão de Ghenoiu, então, pode ser resumida como se segue. Uma nova tendência na arquitetura se afasta de um programa de duas décadas de gestão de relações para (um programa que vê) o objeto como algo excessiva e parcialmente hermético. No entanto, esta proclamada orientação ao objeto mantém um espectador privilegiado, e desta forma contradiz o que Morton, eu e nossos colegas tentamos realizar na filosofia. Vou deixar para os arquitetos genuínos avaliarem as tendências recentes, mas posso dizer que Ghenoiu entende corretamente a parte referente à filosofia. A filosofia orientada ao objeto realmente trata os objetos como um excedente hermeticamente fechado, nunca totalmente conhecível e nunca totalmente expresso em suas relações, e enfraquece, sim, o espectador privilegiado na medida em que todos os objetos devem ser tratados igualmente, sem prioridade para o sujeito humano como um ser finito privilegiado.

Sarah Ruel-Bergeron lida com o tema de forma concisa, mas com precisão: "a filosofia orientada ao objeto retorna o objeto para o arquiteto, alegando que um campo de relações não é mais a principal coisa que faz o mundo à nossa volta. Como uma prática interessada em estética, a arquitetura [esteve] encontrando-se limitada por um processo de composição de forma baseada em redes, forças, campos, enxames" 6. Ela também manifesta ceticismo quanto ao fato de processos e redes dinâmicas poderem ser inteiramente excluídas de consideração.

David Ruy vê as recentes mudanças na arquitetura como articuladas à entrada da natureza na prática arquitetônica:

Desde meados dos anos noventa, a arquitetura tem acelerado o seu afastamento do discurso do objeto arquitetônico para o discurso do campo arquitetônico. Arquitetos de hoje estão preocupados com as considerações da arquitetura como um produto de meios sócio-culturais, como um componente condicional de sistemas tecnocráticos e redes, ou mesmo como cálculos provisórios de extremidade finais de parâmetros mensuráveis dentro de um ambiente literal ou construído 7.

Embora Ruy enfatize a sinceridade dessa mudança, em seu desejo de que a prática arquitetônica seja mais relevante para os eventos atuais, ele também afirma que "existem algumas suposições profundamente problemáticas nas teorias do campo arquitetônico de um ponto de vista ontológico." 8 Estes podem ser vistos na ascensão recente da "natureza" como uma força a ser trabalhada dentro da disciplina. Segundo Ruy, "a prática arquitetônica não teve muita preocupação com a natureza até recentemente. Além de básicas preocupações pragmáticas para manipular o chão, mantendo a chuva, ou ter certeza que o interior receberia bastante luz e ar, a prática de arquitetura tem se preocupado mais com a logística interminável do próprio edifício." 9 Mas agora, "diante do aquecimento global, da destruição iminente e do colapso ambiental, a prática arquitetônica foi forçada também a lidar com a logística ainda mais impossível do próprio meio ambiente" 10. Enquanto Ruy admite que esta atenção voltada à natureza seja completamente compreensível, dado os perigos e pressões de nossa era, ele também se preocupa com arquitetura dissolvendo-se em ecologia:

A natureza, vista através do telescópio ecológico, é uma rede grande de relações onde as aparições dos objetos (pedra, árvore, rã, nuvem, humano, etc) são superficiais, e a rede de relações é entendida como a realidade mais profunda. O grand finale do movimento da arquitetura saindo do objeto em direção ao campo pode muito bem ser o colapso do objeto arquitetônico em um campo de relações que se dissolve em um campo ecológico geral das relações que constituem o mundo 11.

Enquanto a tendência é ver a natureza como um sistema holístico que entra em desequilíbrio apenas pela intervenção humana, não precisamos ser céticos da mudança climática para entender o ponto de Ruy de que "a natureza não é e nunca foi um estado de equilíbrio... Se quisermos levar o fluxo da natureza a sério, teríamos então de entender a prática sustentável como um ato voluntário que busca manter um equilíbrio artificialmente construído com o máximo benefício para a ocupação humana no longo prazo. Porque a própria natureza não é estável, a estabilidade teria de ser forçada" 12.

A visão holística da ecologia sempre teve dificuldade em explicar a transformação: se tudo está em equilíbrio, se tudo é definido por suas interrelações com todo o resto, então por que algo viria a mudar? Ruy corretamente resume a minha posição dizendo que:

Se um objeto pudesse ser completamente esgotado pelo somatório de suas relações, não poderia haver nenhuma maneira do objeto mudar suas relações. Portanto, deve haver sempre algo do objeto que excede suas qualidades e suas relações. Haverá sempre algum "núcleo escuro do objeto" (como Harman coloca) que não pode ser acessado por outros objetos. O ser de um objeto é sempre mais do que as suas relações... O objeto arquitetônico, como qualquer outro objeto, teria um "núcleo escuro" que não pode ser esgotado por uma lista de suas qualidades. Indo mais longe, esta ontologia orientada ao objeto teria que colocar qualquer modelo relacional em dúvida. Embora as redes e campos possam continuar sendo modelos eminentemente úteis de entendimento, carregam consigo uma ontologia falha... Podemos continuar a incorporar modelos de campo pela sua utilidade, mas devemos nos lembrar de que eles são construções artificiais 13.

Ao contrário de conceber a natureza como uma teia holística de relações definitivas, os objetos individuais dentro da natureza devem ser tratados como mutuamente opacos e disruptivos, como afastados e estranhos. Ruy também faz a interessante observação de que uma vez que os arquitetos sejam vistos como objetos peculiares ao invés de sujeitos transcendentes privilegiados, a porta estará aberta para um respeito renovado com as qualidades específicas de pessoas individuais, que há muito esteve fora de moda. Como ele coloca:

A fabricação bem-sucedida de um objeto não pode ser completamente encapsulada por uma metodologia que possa repetir o sucesso... A autoridade do artesão vem da estranha individualidade do produtor. Há algo sobre o mestre artesão, como objeto, que não pode ser reduzido a um conjunto de qualidades e este algo é irreproduzível.14

Em suma, Ruy e Ghenoiu observam um deslocamento do objeto arquitetônico para campos holísticos ou ecológicos em última análise, que fluem para um conceito de natureza e para um imperativo da sustentabilidade. Ruy é mais enfático que Ghenoiu ao atentar para as falhas ontológicas dessa mudança e cita corretamente a ‘filosofia orientada ao objeto’ em sua tentativa de proporcionar um bom argumento contra tais casos. Ele visa recuperar não só a autonomia dos objetos arquitetônicos, mas mesmo a autonomia dos próprios arquitetos, como artesãos individuais qualificados com suas idiossincrasias não reprodutíveis.

A parte final da ‘tarp Architecture Manual’ que vou comentar é a do proeminente arquiteto Patrik Schumacher. 15 Quando instado pelos editores a comentar sobre a filosofia orientada ao objeto, Schumacher defendeu a questão com hesitações razoáveis. Considerando que a integração da teoria da complexidade na arquitetura tem uma história longa e rica, ainda é muito cedo para determinar a utilidade ou a esterilidade da filosofia voltada ao objeto. Schumacher vê a "ontologia relacional" como uma tendência altamente produtiva dentro da arquitetura, e pontua (em parte corretamente) que a adesão aos recursos da ontologia orientada ao objeto pode ser explicada em grande parte devido a atual saturação com o sucesso das abordagens relacionais. Ele conclui esta declaração de abertura dizendo: "Por enquanto a minha atitude continua sendo ‘esperar e ver’, enquanto o meu próprio investimento intelectual está seguindo um caminho totalmente diferente, que vou descrever abaixo" 16.

O que se segue é um argumento complexo e intrincado, embora o compromisso de Schumacher torne-se subitamente claro ao longo de sua explanação. A sociedade consiste inteiramente de comunicações, e a finalidade da arquitetura é enquadrar a interação comunicativa 17. Schumacher diz que sua "teoria da arquitetura... é embasada numa decisão explicitamente contingente da teoria de projeto: a de teorizar a arquitetura como um sistema de comunicações" 18 A contingência da sua teoria é explicada por uma visão pragmática da verdade, segundo a qual uma teoria deve ser julgada pelos seus resultados. Comentando ainda sobre sua teoria das comunicações, Schumacher acrescenta que:

de acordo com esta ontologia (Luhmanniana) há apenas um tipo básico de entidade a ser considerado: comunicações. Neste sentido, a ontologia proposta é uma ontologia radicalmente plana. É, no entanto, também uma ontologia radicalmente relacional. Comunicações só existem dentro de sistemas de comunicações, como nódulos relacionais em cadeias intermináveis e redes de comunicações interligadas... Embora possamos imaginar os primórdios da comunicação como instâncias isoladas inicialmente para depois pensar em redes ou sistemas de comunicações, a análise da comunicação em nossa sociedade contemporânea leva-nos à proposição oposta: todas as comunicações são sistêmicas já e desde sempre 19.

O uso de Luhmann aqui é um pouco peculiar. Para Luhmann, os sistemas estão sempre desconectados de seu ambiente, e, portanto, parece ser este um encaixe teórico imperfeito para uma ontologia "radicalmente relacional" do tipo que Schumacher proclama. Mesmo que tudo seja uma comunicação que ganha significado apenas a partir de seu lugar em um sistema, se há inúmeros sistemas de comunicação selados contra a intrusão ambiente, isso não se parece muito como uma ontologia relacional. Ao contrário, isto sugere a retirada de cada sistema de seu ambiente total de relações, e é precisamente por isso que Levi Bryant foi capaz de mobilizar Luhmann como um poderoso aliado da ontologia orientada ao objeto’ em seu livro mais recente 20. Mas, seja como for, Schumacher é claro o suficiente que ele acredita ser mais proveitoso ver a sociedade como composta por comunicações do que composta por objetos autônomos.

Meu objetivo ao fazer estas citações extensas era destacar alguns pontos em que a filosofia orientada aos objetos tem sido até agora tratada pelos arquitetos como de eventual relevância para a sua disciplina, algo que eu sou mal equipado para dizer no momento. Tendo feito isso, eu gostaria de explicar minhas motivações filosóficas no desenvolvimento dessa ontologia. Depois, podemos voltar à questão de quais poderiam ser as implicações da filosofia orientada ao objeto para campos fora da filosofia.


2. A proposta orientada ao objeto

Eu citei como quatro arquitetos responderam à ‘filosofia orientada ao objeto. E seu possível significado ou insignificância para a arquitetura – e, claro, vou deixar isto para os verdadeiros arquitetos decidirem. Mas todos os quatro focaram, corretamente, que a não-relacionalidade é o conceito central dessa filosofia. O que eu gostaria agora de explicar é a importância da não-relacionalidade para a filosofia orientada ao objeto.

O ancestral mais honrado do pensamento orientado ao objeto é Martin Heidegger. Eu defendo que a passagem-chave está em Ser e Tempo, o maior livro de Heidegger. Esta passagem é a ‘tool-analysis’ (N.T. análise da ferramenta) . Mas eu também sustento que a ‘tool-analysis’ foi lida exatamente pelo caminho errado. Em 1900, Edmund Husserl publicou as Investigações Lógicas, o livro fundador da fenomenologia. Nesta escola Heidegger encontrou sua voz, e nessa escola Heidegger mais tarde se tornou um dissidente, levando as coisas em uma direção completamente diferente. Para a fenomenologia, o ponto é trazer a filosofia de volta às evidências imediatas em que tudo se baseia. As ciências não podem fazer este trabalho, já que têm como objetivo discutir entidades materiais ocultas e visualizam estas entidades como as causas de tudo o que aparece para nós. A fenomenologia funciona no sentido inverso. Tudo o que é imediatamente evidente para nós é o que aparece na esfera da consciência. Por esta razão, a filosofia deveria suspender ou "colocar entre aspas" toda a consideração sobre o mundo natural externo e se concentrar em uma paciente descrição dos fenômenos que aparecem à consciência. Em cada experiência, seja na observação de uma maçã vermelha ou no sonho acordado de uma corneta futurística, há uma infinidade de sutilezas que podem ser descritas e exploradas indefinidamente.

Heidegger ganhou seu lugar na história, apontando para o defeito do ponto de partida da fenomenologia. Como regra geral, as coisas do mundo não são fenômenos presentes na consciência. Em vez disso, as coisas geralmente permanecem invisíveis enquanto nós confiamos nelas em nossas ações diárias. A calçada debaixo dos seus pés, o oxigênio no ar, a infraestrutura de tubos que garante que o seu saneamento e suas necessidades de consumo, o sistema nervoso em seu corpo, o sistema bancário que armazena os seus ganhos - todas estas coisas tendem a permanecer invisíveis, a menos que elas quebrem. Na medida em que elas funcionam sem problemas, elas tendem a se fechar em um fundo oculto onde permanecem despercebidas para o observador humano. Enquanto a fenomenologia trata a realidade como feita de fenômenos ‘presentes-à-mão’ e intermediados pela consciência, Heidegger supostamente mostra que essa presença sempre emerge de um estado anterior de ‘pronto-à-mão’ de um equipamento invisível, o qual é atribuído a um propósito que lhe dá sentido.

Esta é a famosa ‘tool-analysis’ (análise da ferramenta), desenvolvida pela primeira vez no mais antigo curso de Heidegger de 1919 em Freiburg, mas publicado pela primeira vez em Ser e Tempo quase uma década mais tarde. É certamente a experiência de pensamento mais duradoura do século XX. Mas apesar de ser amplamente admirada, é mal interpretada em pelo menos dois sentidos diferentes, um dos quais nos interessa hoje, especialmente. Acredita-se que a ‘tool-analysis’ marca o triunfo da ontologia relacional sobre a não-relacional. O argumento é o seguinte. Quando as entidades são tratadas como presente-à-mão, elas são tratadas como aparições isoladas, independentes na consciência, cada uma com suas próprias características distintas que o fenomenólogo pode descrever. Por outro lado, com a ‘tool-analysis’ Heidegger mostra que antes de serem divididas em entidades distintas e independentes na consciência, as entidades pertencem a um sistema total, cada um deles atribuído mutuamente e ganhando sua realidade só a partir da interação mútua entre si. Desta forma, sustenta-se que a ontologia de Heidegger em ‘tool-analysis’ é relacional e supera ontologia não-relacional de Husserl de fenômenos que surgem à mente de forma independente.

Eu defendo que esta leitura típica é o exato oposto da verdade, e que a fenomenologia é uma ontologia relacional e Heidegger é de fato o não-relacional. Em primeiro lugar, noto que os fenômenos descritos pela fenomenologia não são independentes. A razão é que eles existem apenas em relação a mim, ou para algum observador consciente. Husserl é bastante claro ao dizer que não faz sentido conceber entidades que não seriam, em princípio, objeto de alguma consciência. Por esta razão, a fenomenologia foi sempre completamente relacional desde o início. Da mesma forma, a filosofia de Heidegger de ‘tool-analysis’ não pode ser uma ontologia relacional. A razão para isto é que as ferramentas podem quebrar. Na verdade, esta é uma das principais características da ‘tool-analysis’ de Heidegger - o fato de que as ferramentas podem nos surpreender por quebrar ou sofrer qualquer outro tipo de avaria. Se as entidades fossem nada mais do que a sua presença relacional com o mundo, se um martelo não fosse nada mais do que seu atual uso relacional como martelo, ele nunca poderia mudar de posição ou uso. Para que novas relações sejam possíveis, para que a mudança seja possível no mundo, deve haver algum excedente não-relacional nas coisas. Na verdade, objetos, coisas ou entidades (eu uso as palavras como sinônimos, mas prefiro "objetos" por uma série de razões) devem ser nada mais que um superávit relacional. Qualquer tentativa de definir objetos pelas suas relações deve fracassar, porque os objetos sempre podem entrar em novas relações e, portanto, nunca são definidos por suas relações atuais. Em termos mais técnicos: as relações são exteriores aos seus termos. Relações são externas aos objetos, e não internas; objetos nunca são drenados totalmente por qualquer uma das relações em que se tornam envolvidos. Este é o princípio central da filosofia orientada ao objeto.

Vamos agora examinar brevemente outro mal-entendido do uso frequente da ‘tool-analysis’, que mesmo que seja menos importante para as nossas preocupações de hoje, ajuda a explicar todo o escopo do problema da não-relacionalidade. Ou seja, muitas vezes acredita-se que com a análise da ferramenta, Heidegger pretende mostrar a superioridade da prática sobre a razão teórica. Toda a teoria e toda percepção são baseadas em um fundo inconsciente de práticas cotidianas a partir do qual aquelas emergem. Esta interpretação é superficial. A razão é que a práxis distorce a realidade das coisas, tanto como a teoria. Se eu olhar para um martelo ou fizer teorias sobre um martelo, eu não esgoto a plena realidade do ser-martelo, que é sempre mais profunda do que a minha relação cognitiva ou perceptual com ele. Mas observe que quando eu uso o martelo, eu também não o esgoto. Como vimos, o martelo não consiste apenas no uso que faço dele, uma vez que ele pode sempre me surpreender quebrando, ou abrindo-se a novos usos possíveis. Assim, em vez de criar uma diferença entre relações "conscientes" e "inconscientes" com os objetos, Heidegger nos dá uma teoria na qual simultaneamente a ação humana consciente e inconsciente estão de um lado e os próprios objetos estão do outro lado.

Mas devemos ir um passo além. Não se trata apenas de que os objetos, em sua realidade plena, afastam-se do acesso humano – eles distanciam-se, também, uns dos outros. Quando as ondas quebram em uma praia ou o vento atinge uma turbina eólica, esses objetos não esgotam as propriedades uns dos outros mais do que a consciência humana os esgota. Apesar das hipóteses de Heidegger e de Immanuel Kant, a finitude não é um fardo exclusivamente humano, uma propriedade trágica especial que pertence apenas às pessoas (e talvez a um punhado de seres extraterrestres e alguns golfinhos inteligentes, aos gorilas, e aos corvos). Em vez disso, a finitude pertence à relacionalidade em geral. Todas as relações são incapazes de esgotar os seus termos, não apenas as relações humanas. A não-relacionalidade entre objetos não é um fato da psicologia humana, mas uma verdade ontológica do mundo.

Agora, Patrik Schumacher adota um critério "pragmático" para a aplicação da filosofia à arquitetura 21. Filosofias são boas para a arquitetura caso se revelem úteis. Para isso, diria: "sim e não." Schumacher tem razão que a filosofia não pode mais pretender ser um discurso mestre na área de humanas, nem deveria ter-se feito essa afirmação - embora eu ache que Schumacher vai longe demais em dizer que a prioridade agora foi revertida, como se a filosofia fosse agora condenada a se tornar a serva da arquitetura, arte, geografia, sociologia, linguística, e tudo mais. Mas vale a pena considerar a seguinte passagem do artigo de Schumacher:

A "verdade" (eficácia pragmática) de uma ontologia não pode ser universalmente afirmada, mas apenas avaliada disciplina por disciplina. Além disso, a questão da sua fecundidade dentro de uma disciplina específica não pode ser resolvida com antecedência. Simplesmente se tem que tentar trabalhar com certa ontologia. Por isso, é prudente adotar uma atitude de "esperar e ver", que é a tolerância filosófica, em vez de fundamentalismo filosófico. Os critérios de sucesso são diferentes em cada disciplina com base na função social da respectiva disciplina. 22

Embora esta passagem pareça que temos um objetivo unificado, eu penso que ele une em um único lugar coisas boas e ruins. No lado bom, o convite à tolerância filosófica no lugar do fundamentalismo é bem-vindo, uma vez que nenhuma filosofia pode jamais esgotar o real. Parece também, obviamente, verdade que cada disciplina tem problemas autônomos que não podem ser resolvidos com os métodos da outra, e também é verdade que as evoluções das disciplinas podem estar de-sincronizadas entre si: no exato momento em que os "objetos" são um novo tema na filosofia, eles podem ser um clichê mortal na arqueologia, na arquitetura e na ciência da computação, ou talvez não. Não existe uma regra histórica afirmando que todos os campos avançam por caminhos paralelos. É certamente verdade também que nunca podemos saber com antecedência quais os conceitos filosóficos podem revelar-se úteis para um determinado campo.

Mas há também dois pontos na referida passagem que eu considero ruins. A primeira é a identificação da verdade com eficácia pragmática, e a segunda é a ligação que estabelece entre o sucesso e a função social. Estes dois pontos cometem o mesmo erro, que é um erro relacionista. No que diz respeito ao primeiro ponto, é impossível identificar a verdade com a eficácia pragmática, e por algumas razões bastante simples. O sucesso pragmático, muitas vezes ocorre com base em meias-verdades ou falsidades definitivas. Nesses casos nem sempre deixamos as nossas teorias intactas só porque elas parecem estar funcionando. Muitas vezes, nós mudamos nossas teorias para dar-lhes uma aplicabilidade mais precisa e uma melhor capacidade de lidar com possíveis casos surpreendentes. A revolução de Einstein foi motivada em grande parte pelo fracasso de Newton para fazer previsões precisas sobre o perihélio de Mercúrio, um problema que não era especialmente de grande importância prática. Não há razão para supor que a arquitetura precisa ser mais estritamente "prática" do que física; a arquitetura também pode tomar decisões teóricas que são desnecessárias, dado o estado atual da prática da arte, pela simples razão de que a verdade tem uma maior potência, maior confiabilidade, e maior flexibilidade do que um mero sucesso prático. A minha segunda pergunta é por que o sucesso deve estar ligado com a função social. O que exatamente significa "sociedade" aqui - a humanidade como um todo, a sociedade como um todo, só a minha nação, ou a classe de pessoas cujo destino é de interesse para mim? E mais importante, há casos onde a verdade pode triunfar sobre o uso social. Por exemplo, os interesses mesquinhos de uma dada sociedade podem determinar que os filósofos não devessem existir, ou só deveriam existir sentados em painéis de ética médica e apoiando-se no sucesso das ciências do cérebro em vez de desperdiçar seu tempo em uma poltrona fazendo especulações metafísicas. Não procede que a sociedade tenha o direito de atribuir funções a pessoas e disciplinas desta forma, nem que a própria sociedade acabará por se beneficiar ao fazer tais atribuições. Uma recusa aparentemente egoísta de aderir à própria função social pode vir a ser, por excelência, um ato heroico.

Embora isso tudo possa soar como picuinhas, Schumacher toca no que é mais perigoso do ponto de vista relacionista que apoia e que às vezes beira a uma forma de "atualismo" em que a realidade é por vezes confundida com as atuais condições da realidade. Isto é evidente no ataque de Schumacher no início deste ano, em The Architectural Review, sobre práticas de ensino da arquitetura na Grã-Bretanha 23. "Os pontos de partida para a maioria dos projetos de [estudante] são narrativas improváveis com pretensas mensagens simbólicas ou importações poéticas." O que se segue se assemelha a uma daquelas listas de "absurdas" obras de arte modernas que são frequentemente denunciadas pelos tradicionalistas:

‘the Bronze Medal’... propõe colocar "um mecanismo acústico lírico" em uma pedreira em Bangalore. "O edifício é tocado pelo vento, a acústica transforma os sons abrasivos das pedreiras."... Os outros projetos nesta categoria que foram selecionados e destacados... [incluem] uma instalação de monitoramento de algas, um retiro para Echo da Metamorfose de Ovid, e um edifício de armazenamento com base na narrativa ficcional em que todos os cidadãos podem depositar suas coisas pessoais em caixas de segurança ao longo das suas vidas a fim de serem mais tarde confrontados com seu passado. Embora não haja explicação sobre as outras entradas, os títulos dos projetos (eg, Pyrolytic Power Plant, Tsunami Alert Community, Hydrodynamic Landscape, Mushroom Farm, Guild of Tanners and Butchers)... sugerem uma forma semelhante de compreensão idiossincrática e irreal do que constitui um projeto digno e breve... o vencedor de 2010 foi um “ferro velho para navios” e o vencedor de 2009 propôs "torres motorizadas de defesa costeira agindo como um dispositivo de aviso para a humanidade sobre mudanças climáticas." 24

Embora haja nesta passagem reconhecidamente algum valor cômico no tom polêmico de Schumacher, encontro-me mais interessado na lista de projetos do que nas reclamações de Schumacher de que os projetos oferecem "pouca ou nenhuma demonstração de como os espaços visualizados organizam e articulam os processos da vida social e institucional. " 25 Agora, a formação do arquiteto é o campo de Schumacher, não o meu, e pode haver deficiências especificamente pedagógicas com esses tipos de projetos que estão além do alcance do meu juízo. Mas o que eu me sinto capaz de julgar é a suposição de que a utilidade pragmática e social deve ser o principal critério para a verdade (uma palavra que Schumacher coloca entre aspas). É fácil criticar os projetos referidos acima como sendo “narrativas improváveis com pretensas mensagens simbólicas ou importações poéticas." 26, mas uma avaliação mais equilibrada pode simplesmente descrevê-los como "arquitetura contrafactual", e parece-me que o contrafactual é o que deve ser sempre incentivado, em todos os campos de investigação.

Considere a história contrafactual, que explora os clássicos cenários "e-se" em torno de momentos históricos que parecem especialmente contingentes. E se Napoleão não tivesse invadido a Rússia? E se os mongóis não tivessem abreviado a invasão na Europa devido ao funeral de um chefe remoto? E se Portugal, Gênova, Veneza, ou a Inglaterra tivessem aceitado a missão proposta de Colombo, em vez da Espanha? E se o FBI tivesse dado ouvidos aos antecipados alertas de terroristas da Al-Qaeda nas aulas de treinamento de vôo? Embora às vezes descartado como ociosas e irrespondíveis, essas questões parecem-me serem a essência do trabalho histórico. A história não é feita só de eventos, mas de atores que acontecem para participar de certos eventos, mas que poderiam ter participado em outros. Para ignorar essas questões adere-se a uma visão excessivamente relacional da realidade. Assume-se que outras vidas e outros eventos nunca seriam possíveis, e assim corrói-se qualquer esperança da "otimista sondagem do nosso mundo contemporâneo, com relação às varias oportunidades que ele oferece", segundo defende Schumacher 27 .

Em um artigo recente eu mesmo defendi uma crítica literária contrafactual 28. Contra o Novo Historicismo que relaciona as obras de arte às suas condições sociais de produção, e também contra o mais antigo ‘Novo Criticismo’ que pensa a literatura fora dessas condições sociais, mas transforma o interior das obras em elegantes sistemas holísticos, podemos tentar experimentos contrafactuais sobre como obras literárias podem ser diferentes se nós as modificarmos de diferentes maneiras. Slavoj Žižek recentemente fez isso em uma palestra em Bonn, com humor típico, imaginando vários finais alternativos de Antígona, e nós poderíamos facilmente fazer uma ciência a partir do ato de modificar os acontecimentos relacionais em qualquer obra da literatura ou até mesmo das artes visuais, a fim de lançar luzes sobre o poder possivelmente subutilizado dos elementos internos das referidas obras. Roy Bhaskar argumenta que a ciência natural faz exatamente a mesma coisa. Ela constrói seus experimentos, a fim de neutralizar as relações acidentais em que os produtos químicos e partículas venham a ser envolvidos, seus cenários artificiais desbloqueiam as propriedades ocultas de objetos que são esmagadas ou reprimidas pelas circunstâncias normais da natureza.

Quanto à arquitetura, não estou em posição de dizer se o mundo contemporâneo precisa realmente de mais ‘fazendas de cogumelos’, ‘comunidades de alerta de tsunami’, ou ‘geradores acústicos para pedreiras na India’. Mas, assim como o falecido Steve Jobs disse que não é o trabalho dos consumidores saber o que querem, presumivelmente, isto pode ser verdade para os clientes de arquitetura também. Parece-me que se a arquitetura reprimir do conhecimento e da prática atual tudo o que é perturbador, estranho ou em excesso , então ela vai pagar o mesmo preço que qualquer outro campo paga ao renegar o desconhecido desta forma – o de cair em um atualismo que corre o risco de se tornar um fatalismo. A noção de Luhmann de que o que está fora do sistema é ignorado pelo sistema é uma descrição do que de fato acontece, não pode ser concebido como um imperativo de que devemos deliberadamente nos colocar em sistemas de comunicação. Muito pelo contrário. E é neste ponto que a abordagem orientada ao objeto pode provavelmente fazer alguma contribuição para a arquitetura, pela mesma razão que ela pode fazer contribuições para muitos campos, através de uma melhor integração do desconhecido e do contrafactual em nossas imagens da realidade.

1 Jacques Derrida, “The Spatial Arts: An Interview with Jacques Derrida,” in Deconstruction and the Visual Arts: Art, Media, Architecture. Edited by Peter Brunette and David Wills. (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1994.) Page 11.
2 Erik Ghenoiu, “The World is Not Enough,” tarp Architecture Manual, Spring 2012, p. 4.
3 Ghenoiu, “The World is Not Enough,” p. 6.
4 Ghenoiu, “The World is Not Enough,” p. 7.
5 Ghenoiu, “The World is Not Enough,” p. 7.
6 Sarah Ruel-Bergeron, “Cheat Sheet,” tarp Architecture Manual, Spring 2012, p. 9.
7 David Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” tarp Architecture Manual, Spring 2012, p. 38.
8 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 38.
9 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 39.
10 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 39.
12 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 39.
13 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 40.
14 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” pp. 40-41.
15 Ruy, “Returning to (Strange) Objects,” p. 42.
16 Patrik Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” tarp Architecture Manual, Spring 2012, pp. 100-107.
17 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 100.
18 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 102.
19 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 103.
20 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 103.
21 Levi R. Bryant, The Democracy of Objects. (Ann Arbor, MI: Open Humanities Press, 2011.)
22 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 101.
23 Schumacher, “Architecture’s Next Ontological Innovation,” p. 101.
24 Patrick Schumacher, “Schumacher Slams British Architectural Education,” January 31, 2012, http://www.architectural-review.com/view/overview/schumacher-slams-british-architectural-education/8625659.article
25 Schumacher, “Schumacher Slams British Architectural Education.”
26 Schumacher, “Schumacher Slams British Architectural Education,”
27 Schumacher, “Schumacher Slams British Architectural Education,”
28 Schumacher, “Schumacher Slams British Architectural Education.”
29 Grahm Harman, “The Well Wrought Broken Hammer: Object-Oriented Literary Criticism,” New Literary History, 43.2 (Spring 2012), pp. 183-203.


Todos os direitos sobre esse texto pertencem ao autor Graham Harman. O conteúdo desse texto não deve ser reproduzido sem a expressa autorização do autor.



Ligações Urbanas

A profundidade urbana manifesta-se tanto física como sensitivamente de maneiras diversas, em uma cadência especifica ao usuário e às continuas conexões propiciadas pela cidade, dentro de uma conectividade das partes com o todo.

Distintas peças conectam-se possibilitando um arranjo intertravado estruturalmente específico ao local.

Urban conection

The urban depth emerges physically and sensitively in different manners, in an arrange specific to the user and to the multiple relations made possible by the city, inside a connectivity between the parts and the whole.

Distinct components link forming an interlocked arrangement structurally specific to the site.

status: construído – build
equipe: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro, Ernesto Bueno, Lucas Issey e Marcela Furtado
localização: Rua 24 horas Curitiba, Brasil
cliente: Instituto Municipal de Turismo
área do terreno: 25 m2
ano do projeto: 2011


Unipampa
status: concurso | 2o Colocado

Autores: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes,Juliano Monteiro.

Colaboradores: Mathilde Poupart, Lucille Daunay, Sebastian Huth, Marcela Furtado, Lucas Issey Kodama, Arq. Ernesto Bueno

consultor: Eng. Ricardo Dias (estrutural)

área construída: 3.800 m2
localização: Santana do Livramento – Brasil
ano do projeto:2011


MOB

equipe: Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes, Ernesto Bueno e Lucas Issey
tamanho: 50X50X200cm
fabricante/venda: Flexiv

Showroom Curitiba
Rua Nilo Peçanha, 420 – Centro Cívico – PR, 80520-000
(0xx)41 3322-9006
Showroom São Paulo
Rua Gabriel Monteiro da Silva, 1984 – Jardim Paulistano – SP
(0xx)11 3086-0068

ano do projeto: 2010
ano de construção: 2011


PDV móvel

Dois materiais unem-se em um ângulo específico para formar um ponto de relacionamento. O contato humano como ponto atrator dentro de um sistema previamente estabelecido. O ângulo vertical existente no ponto de venda móvel provém da necessidade de uma distinta relação cliente operador e não do anseio de satisfazer o desenho.

O Poliestireno de alto impacto com seus vincos cumpre com as necessidades estruturais assim como proporciona distinta relação com o cliente e uma boa manutenção por parte do proprietário. Os elementos metálicos estruturam o objeto e possibilitam o uso de diversos componentes eletrônicos para seu perfeito funcionamento. Suas medidas são decorrentes de questões ergonômicas e funcionais para as operações necessárias.

A customização proporciona flexibilidade tanto de uso como estética, pois distintas cores podem ser empregadas, assim como variados aparelhos eletrônicos, possibilitando diferentes composições funcionais.

O PDV móvel recebeu o prêmio Idea Brasil 2011, endossado por IDSA, na categoria ‘Comerciais e Industriais’. O móvel ficou exposto no mês de agosto de 2011 com os outros vencedores no Conjunto Nacional, na cidade de São Paulo.

‘Two materials unite in a specific angle form a point of relation. The human contact as an attractive point inside a previously established system. The vertical angle at the point of existing mobile sales come from the need for a different relationship between operator and client, not to satisfy the desire of the drawing.

The high impact Polystyrene with their creases fulfills the structural needs and provides different customer relations and good maintenance by the owner. The metallic elements structure the object and enable the use of various electronic components for its perfect functioning. Its measures are derived from functional and ergonomic issues for the necessary operations.

The customization provides flexibility of use as much aesthetic as distinct colors can be employed, as well as various electronic devices, enabling different functional compositions.
The Mobile PoS was awarded by Idea Brazil 2011, endorsed by IDSA, in ’Business and Industry’ category.

status: concluído
equipe: Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes, Dari Beck e Ronaldo Duschenes
localização: Curitiba PR, Brasil
fabricante: Flexiv
cliente: Bematech
ano do projeto: 2010
ano de conclusão: 2011

The Mobile PoS was awarded by Idea Brazil 2011, endorsed by IDSA, in ’Business and Industry’ category.’



Porto Olímpico

status: concurso

equipe: Emerson Vidigal, Gustavo Utrabo, , Eron Costin, Dario Correa,Felipe Sachs, Thiago Maoski, Juliano Monteiro, Adriane Nunes, Pedro Duschenes, Fábio Faria, João Cordeiro, Mocir Zancope.

consultores: Eng. Jeferson Andrade Rezende (Estrutural), Arq. Alexandre Ruiz da Rosa, Arq. Sergio Fernandes Tavares (Conforto), Arq. Alessandro Filla Rosanelli (Paisagismo), Arq. Carlos Garmatter Neto (Acessibilidade)
área construída: 888.270 m2
localização: Rio de Janeiro
ano do projeto:2011



Voronoi Study

status: construído- build
equipe-team: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro, Ernesto Bueno, Lucas Issey

Local:Curitiba PR, Brasil

ano-year:2011



Passagem sob o Eixão
Concurso - Mensão Honrosa

Passagens

Da transposição das fluídas artérias automobilísticas do Eixo Rodoviário surge a possibilidade de um segundo local de alto fluxo, uma concessão funcional submersa no plano piloto. Ao contrário do vasto horizonte da superfície, sua escala é reduzida, uma possibilidade de aproximação singular na capital federal.

O espaço limitado, associado inicialmente à insegurança, oferece, por outro lado, oportunidades para explorações poéticas diferenciadas. Vazios são inseridos para trazer ventilação e luz natural em um gradiente de sombras que atenua o efeito de ofuscamento. Cria-se uma atmosfera, onde elementos metálicos refletem o “oculto” da quina e a luz da superfície e cuja distribuição transborda os limites do meramente funcional para criar uma nova possibilidade sensorial. Como fragmentos de um mosaico de Athos Bulcão, as placas refletivas distinguem-se em padrões de texturas com gramaturas variadas em uma escala familiar ao percurso da população Brasiliense.

Acessos

Se abaixo da cota das vias, ocorre uma inversão de escala e certa liberdade de proposição espacial, na superfície há que se respeitar a paisagem planejada, a qual não demanda a criação de novas alegorias dissonantes. Propõe-se, então, como referência visual, o elevador, instrumento que marca o deslocamento vertical, a transposição dos níveis e indica pontualmente a conexão do sobre com o sob. A marcação clara e configuração ampla, contando, quando possível, com rampas e plataformas, incentivam o uso de pedestres e ciclistas colaborando na redução de acidentes no Eixo Rodoviário.

Largo

Surge, então, um terceiro espaço, nem comprimido como as passagens subterrâneas, nem aberto como a planície da capital. Mais precisamente nos declives entre as vias. Ali, o espaço não delimita-se mais pela imagética de Brasília, ou pelas grossas paredes dos túneis, mas a partir de sua própria necessidade de escala calcada no comércio de pequeno porte. Uma escala de dilatação (largo) em relação às passagens estreitas, e de proteção frente à imensidão das vias. Suas unidades são construídas modularmente conforme o tamanho padrão das peças metálicas, possibilitando um crescimento proporcional da escala intermediária. Em pontos específicos estão localizadas bacias de contenção, para os períodos de chuvas, cobertas com vegetação específica, as quais colaboram para manutenção da umidade do ar no cerrado. Tem-se, assim, espécie de assentamento inicial, cuja dimensão concentra o grande fluxo de passantes, favorecendo o comércio e o encontro.

Molduras Vegetais das Superquadras

A escolha de árvores específicas, o desenho dos acessos com marcação vertical estritamente necessária, bem como o respeito à cota limite das vias, tem por objetivo interferir o mínimo na faixa vegetal que circunda e identifica as Superquadras, assim como as características típicas da paisagem urbana rodoviária previstas no plano piloto.

Conclusão

A distinção ritmada entre espaços de diferentes escalas estrutura os vazios e assegura uma marcação urbana singela no contexto proposto por Lucio Costa, surgindo como modelo possível para as 16 intervenções de características semelhantes.
Crossings

From the passages under the fluid transportation arteries of the Eixo Rodoviário, arises the possibility for a second place of high flow, a functional concession submerged in the master plan. Unlike the vast horizon above the surface, its scale is reduced, revealing the possibility for a unique approach in the federal capital.

The limited space, initially associated with insecurity, offers in other hand, the opportunities for differentiated poetic investigations. Gaps are inserted to bring natural light and ventilation in a gradient of shadows that mitigates the effect of glare. An atmosphere is created, where metallic elements reflect the “hidden” part behind the corner and the surface light, and whose distribution overflows the bounds of the merely functional to create a new sensory possibility. As fragments of a mosaic from Athos Butão, the reflective plates differ in patterns of varied textures in a scale familiar to the pathway of the local population.

Access

If below the track’s surface, there is an inversion of scale and a certain freedom for space proposition, above them, the planned landscape must be respected, which does not require the creation of new discordant allegories. It is proposed, then, as a visual reference, the elevator, an instrument that marks the vertical displacement, the transposition of levels and punctuates the connection of the above with the below. The clarity of the proposal and the broad configuration, utilizing ramps and platforms when possible, encourage the use by pedestrians and cyclists collaborating in the reduction of accidents along the main road axis.

Largo

A third space then arises, neither compressed as the underpasses, nor open as the capital’s plains. More precisely: the slopes among the tracks. There, the space is not defined anymore by the imagery of Brasilia, or by the thick walls of the tunnels, but from its own need for a scale grounded in small trade; a scale of expansion (Largo) in relation to the narrow passages, and of protection against the magnitude of the highways. Its units are built modularly following the standard size of metal parts, allowing for a proportional increase of the intermediate scale. Located at specific points, are drainage elements for the periods of rain, covered with vegetation which cooperate to maintain the humidity in the cerrado’s air. It is, therefore, a kind of initial settlement, whose size concentrates the large flow of pedestrians, encouraging trade and meeting.

Vegetation Frames around the Superblocks

The choice of specific trees, the design of accesses only with the strictly necessary vertical marks, as well as the respect to the level limit of highway, aims to interfere as little as possible at the vegetation track that surrounds and identifies the Superblocks, as well as the characteristics of the urban landscape planned in the original master plan.

Conclusion

The rhythmic distinction between spaces of different scale structures the gaps and ensures a simple urban markup in the context proposed by Lúcio Costa, emerging as a possible model for the 16 interventions of similar characteristics.

status: concurso | Menção Honrosa

Autores: Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes.

Colaboradores: Mathilde Poupart, Lucille Daunay, Lucas Issey Kodama, Arq. Ernesto Bueno e Sabine Meister.

consultor: Eng. Ricardo Dias (estrutural)

localização: Brasília – Brasil
ano do projeto:2012



Aldeia Coworking

status: construído
equipe: Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro, Pedro Duschenes, Ernesto Bueno, Lucas Issey e Mariana Bittencourt
localização: Curitiba PR, Brasil
cliente: Aldeia Coworking
área construída: 140 m2
ano do projeto: 2010
ano de construção: 2010



Convection Slum


A proposta localizada na favela da Rocinha (Rio de Janeiro, Brasil) corresponde diretamente às necessidades espaciais e a falta de superfícies passíveis de serem habitadas.

A edificação pretende manter a diversidade de eventos gerados pela favela em seus pequenos espaços intersticiais. Decorrente deste fato o edifício molda-se espontaneamente na mistura de espaços ricos e sustentáveis. A vivacidade espacial da edificação provém da grande quantidade de funções e moradores, os quais poderão ter a possibilidade de chegar e habitar o edifício. A edificação se formaria gradativamente, decorrente da demanda e do translado dos então moradores da rocinha. Com isso seria possível livrar o solo e transformá-lo uma vez mais em floresta atlântica.

Pobreza, fome, discriminação, realidade vivida.

Experiência de vida.

Direito constitucional porem não real de uma moradia, de uma dignidade ao ser humano. De que forma seria possível associar falta de espaço habitável e uma enorme quantidade de pessoas na periferia de uma das maiores cidades do país? Como, através da arquitetura criar possibilidades de enriquecimento, aprendizado para quem ainda briga por um dia de sobrevivência no caos?

Diferença entre espião vivido e espaço projetado. Diferenças de ocupação do espaço e previas definições e regimentos para uma suposta organização. A organização dentro de uma favela se assemelha a uma disputa por sobrevivência onde a forca, seja ela política ou física, aliada com o baixo orçamento cria espaços de enorme inocência, espaços humanos ao extremo, um exemplo de arquitetura viva nada de erros ou acertos e sim uma enorme gama de diferenças. Pluralidade. Experiências. Cultura.

As circulações verticais exploram as diversas possibilidades de chegada, levando os usuários de um espaço de transição para outro. As circulações verticais sempre possuem como partida e chegada um espaço de interação, espaço criador de convivência. A edificação é provida por uma circulação principal e diversas circulações verticais secundárias. Hierarquia estabelecida na circulação vertical, principal, ligamentos, secundarias, múltiplas possibilidades. As circulações verticais secundárias funcionam como elementos transitivos locais, misturando os usos e promovendo contato.

A edificação atinge mais de 500m de altura e possibilitaria habitação para milhares de pessoas.

Os usos educacionais e comerciais surgem para suprir a falta existente hoje na rocinha, agregando serviço, atraindo a habitação e permanência. Suas fachadas seguem diferentes e determinadas tipologias, porém essas não aplicadas ao uso, mas sim ao espaço e a memória coletiva.

Espaços intersticiais são os espaços vivos das favelas, pela falta de espaço privado e pela grande densidade os encontros forçados ocorrem nas ruas, o limite entre público privado se torna invisível e praticamente inexistente, porem não se torna um problema pela cultura de miscigenação. O multi-espaço torna-se a praça de encontro da comunidade local. Assim, esse espaço é conseqüência do processo particular, de um espaço de diferença, uma condição do entre.

Project conducted for the 2009 eVOLO skyscraper competition.

The proposal located in the Rocinha slum (Rio de Janeiro, Brazil) is directly related to space needs and the lack of habitable land.The building wants to maintain the diversity of events generated by the ìfavelaî in its interstitial spaces. Resulting from this fact the building is shaped spontaneously in a rich mixture of sustainable spaces. The spatial liveliness of the building comes from the large number of functions and users, who may be able to live in the building in a quickly way. The building will be build gradually, according to the demand and the transfer of the Rocinha¥s residents. Within this act, the ground could be freed and reverted once again in the Atlantic forest.

Poverty, hunger, discrimination, lived reality.

Life experience.

Constitutional law but not a real statement of the living act, the dignity of a human being. In what way could we involve a lack of habitable space and a huge amount of people on the periphery of one of the largest cities in the country? How to create opportunities for enrichment and learning through architecture for those who still fight for a day of survival in the chaos?

Difference between living space and designed space. Differences in the use of the space and the previous definitions and regulations for a supposed organization. The organization in a slum is similar to a competition for survival, where the strength, be it political or physical, coupled with the low budget creates huge spaces of innocence, human spaces in the extreme, an example of architecture, not good or even bad but a huge range of differences. Plurality. Experiences. Culture.

Interstitial spaces are the living spaces of slums, this spaces are the consequence of the lack of private space and the high density, forcing the streets meetings, so the boundary between public and private becomes invisible, almost non-existent, but does not become a problem for the culture of miscegenation. The multi-space (the transition area) becomes the meeting place of the local community. Thus, this space is a consequence of the particular process, an area of difference, a condition in between.

The building of more than 500mt and will allow housing for thousands of people.

The vertical circulation explores some possibilities of arrival, leading the users from an area of transition to another. The vertical circulation always starts and stops in an interaction space, a huge living space. The building is provided by a major vertical circulation and various secondary circulations. Hierarchy established in the vertical movement, the principal, the generator of the multiple possibilities. The secondary vertical circulations act as a local transitive element, mixing the uses and promoting contact.

status: concurso
equipe: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes, Juliano Monteiro e Thiago Valerio
localização: Rio de Janeiro, Brasil / Nova York, EUA
cliente: eVolo09
ano do projeto: 2008/2009

The educational and commercial uses appear to meet the lack existing today in Rocinha, adding service and attracting housing. Its facade follows some different typologies, but these do not apply to the use, but for a special character and for a collective memory.